Caso Samylle: rede de proteção acompanhava família de menina de 4 anos morta pelo tio desde 2025

  • 20/08/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia Civil do RS investiga morte de menina de 4 anos em Porto Alegre O Ministério Público do Rio Grande do Sul confirmou nesta quinta-feira (20) que acompanha, desde 2025, expedientes judiciais envolvendo a família de Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos. A menina morreu na segunda-feira (17), em Porto Alegre, e o atestado de óbito apontou politraumatismo como causa da morte. O tio de Samylle, preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (20), confessou as agressões para a polícia. O homem foi identificado como Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O atestado de óbito confirmou a causa da morte da menina como politraumatismo. De acordo com a polícia, Samylle estava morando com os tios há pelo menos dois meses. Foram eles que levaram a menina já sem vida até a UPA no dia da morte dela, mas o homem fugiu quando a polícia chegou ao local. A delegada Alice Fernandes afirma que Staubus, ao agredir a criança, assumiu o risco de matá-la: "Ele confessou agressão que levou à morte. Confessou palmadas, que, em decorrência, ela piorou, chegou sem vida na UPA. Considerando que é uma menina de 4 anos, a partir do momento que um adulto desfere uma agressão, ele aceita o risco de causar morte. Em razão de todo esse contexto que ele assume o resultado morte, é homicídio doloso." O histórico mostra que a família passou por atendimentos do Conselho Tutelar, da Polícia Civil, da Justiça, do Ministério Público e da Defensoria Pública desde abril de 2025. Nesse período, a guarda de Samylle foi transferida entre familiares até a menina passar a morar provisoriamente com a tia. Segundo a investigação, o tio era quem passava a maior parte do tempo com Samylle, porque a tia trabalhava fora. Em nota publicada no site da instituição, o Ministério Público afirmou que os procedimentos tramitam em segredo de Justiça porque envolvem crianças. Por esse motivo, não apresentou detalhes sobre o conteúdo dos expedientes. Na manifestação, também informou que realiza a capacitação do Conselho Tutelar e que receberá os familiares da menina para acolhimento. Entre as atribuições do Ministério Público está a fiscalização da atuação do Conselho Tutelar. Linha do tempo Em abril de 2025, a família de Samylle foi atendida pelo Conselho e a guarda da menina foi retirada da mãe por meio de um termo de responsabilidade e repassada aos avós maternos. Em setembro do mesmo ano, a Polícia Civil concluiu uma investigação e remeteu o inquérito à Justiça. No dia 29 de setembro de 2025, a Justiça realizou uma sessão de mediação entre os familiares para tratar da guarda da criança. Em 2 de dezembro de 2025, o acordo foi homologado, e a guarda de Samylle foi devolvida à mãe, com possibilidade de visitas do pai. A partir desse momento, a menina deixou de morar com a irmã mais velha, que também é criança. Em julho de 2026, a tia de Samylle procurou o Conselho Tutelar da 3ª Região. Ela informou que a mãe da criança enfrentava um problema de saúde. A tia passou, então, a ser responsável provisoriamente por Samylle por meio de um termo. A mudança não decorreu de uma decisão judicial de guarda. Segundo a defesa da mãe, a tia não permitia que ela visitasse ou mantivesse contato com a filha. O pai da criança também afirmou que era impedido de vê-la. A delegada Alice Fernandes afirmou que a tia tem colaborado com a investigação e compareceu para prestar depoimento todas as vezes em que foi chamada. Até o momento, ela é considerada testemunha. No dia 9 de agosto, durante um encontro no Dia dos Pais, os avós maternos perceberam ferimentos no corpo da menina. Eles receberam a informação de que as marcas tinham sido provocadas por uma queda. Quatro dias depois, em 13 de agosto, a tia procurou a Defensoria Pública. Ela foi orientada a reunir documentos para ingressar com uma ação de guarda definitiva, mas não retornou para apresentá-los. Em 17 de agosto, Samylle foi levada pela tia e pelo tio à Unidade de Pronto Atendimento Bom Jesus, na Zona Leste de Porto Alegre. A criança chegou ao local já sem vida. Em depoimento, Nicolas afirmou que deu "umas palmadas com intuito de correção no bumbum da menina em razão dela ter feito cocô nas calças", de acordo com a delegada, mas a polícia afirma que essa versão não é compatível com as marcas pelo corpo. A Polícia Civil trata o caso como homicídio. A investigação tem prazo legal de 10 dias em razão da prisão do suspeito. Caso Samylle: tio de menina de 4 anos morta no RS é preso Reprodução/Redes sociais LEIA TAMBÉM Polícia investiga morte de criança de 4 anos em Porto Alegre após agressões 'A investigação vai dizer se foi vítima de tortura', afirma delegado Mãe de menina presta depoimento à polícia e diz que não via filha há dois meses O que falta saber sobre caso Samylle VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/08/20/caso-samylle-rede-de-protecao-acompanhava-familia-de-menina-de-4-anos-morta-pelo-tio-desde-2025.ghtml


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