Tornados: por que o RS está entre as regiões mais favoráveis do mundo para o fenômeno

  • 01/08/2026
(Foto: Reprodução)
Tornados: por que o RS está entre as regiões mais favoráveis do mundo para o fenômeno O tornado que atingiu o Noroeste do Rio Grande do Sul nesta semana chamou atenção para um fenômeno que faz parte da história do estado. Segundo o Atlas Digital de Desastres, desde 1991 o RS registrou pelo menos 31 desastres associados a tornados, com 7,6 mil pessoas diretamente atingidas e cerca de R$ 68 milhões em prejuízos materiais. As imagens registradas em Giruá mostram a força do fenômeno. Embora tenha durado poucos minutos, o tornado destruiu casas, derrubou árvores e matou animais. "A gente não imagina que vai acontecer aqui próximo da gente, aqui no Rio Grande do Sul. É um fenômeno bem assustador. Fiquei bem chocada", comenta a assistente social Daiane de Oliveira Nunes. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Corredor de tornados O Rio Grande do Sul está inserido no chamado corredor de tornados da América do Sul, considerado uma das regiões mais favoráveis do planeta para a formação desses fenômenos, atrás apenas da região central dos Estados Unidos. Nessa faixa do continente, diferentes condições atmosféricas costumam se encontrar com frequência. Um dos fatores determinantes é o encontro do ar quente e úmido vindo da Amazônia com o ar frio que avança do sul do continente. Quando os ventos mudam de direção e velocidade conforme a altitude, a tempestade começa a girar. O tornado é justamente a coluna de ar em rotação que liga a base da nuvem ao solo. Em poucos minutos, os ventos podem ultrapassar 300 quilômetros por hora. O climatologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Francisco Eliseu Aquino, afirma que a ocorrência do fenômeno não é incomum no estado. "A gente precisa das nuvens de tempestade severa, que são as cumulonimbus. O Rio Grande do Sul, nas últimas semanas, teve dezenas dessas tempestades muito desenvolvidas. É só a partir de uma nuvem como essa que pode surgir tornado ou tornados", explica. Segundo ele, a possibilidade aumenta quando há forte contraste atmosférico. "Aumenta a chance de ocorrência de tornado no Rio Grande do Sul quando você tem maior contraste, uma frente quente, com instabilidade elevada e, por consequência, chuva e granizo associados", afirma. Tornado no RS RB Notícias de Giruá/Imagens cedidas Histórico de tornados no estado O evento meteorológico recente passa a integrar uma longa lista de tornados que marcaram o Rio Grande do Sul nas últimas décadas. Em dezembro de 2003, Antônio Prado viveu um dos episódios mais graves. O tornado deixou cinco mortos e outras oito pessoas feridas. Dois anos depois, em setembro de 2005, Muitos Capões registrou destruição de casas provocada por ventos superiores a 180 quilômetros por hora. Em abril de 2014, Tapejara foram atingidas por um tornado que deixou cerca de 3,5 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas. Em Erebango, um homem morreu enquanto tentava proteger o filho durante a passagem do fenômeno. Em março de 2017, São Francisco de Paula teve 110 casas destruídas, outras 700 danificadas e quase mil pessoas ficaram fora de casa. A reconstrução levou anos. Já em junho de 2018, uma sequência de tornados atingiu cidades do Norte gaúcho. Em Ciríaco, Coxilha, Água Santa e Ronda Alta, os ventos destruíram aviários, derrubaram silos, tombaram carretas e provocaram duas mortes. Mudanças climáticas e tempestades severas GIF - Tornado é observado no Rio Grande do Sul Renan Bayer Para o meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Maurício Ilha de Oliveira, há indícios de que um ambiente mais aquecido favoreça a ocorrência de tempestades severas. "A percepção é de que agravem, pois há uma atmosfera mais aquecida. É uma atmosfera que apresenta mais alguns dos ingredientes que favorecem a formação de tempestades severas, inclusive tornados, que tendem a se intensificar", diz. Ele cita como exemplos o aumento da umidade disponível na atmosfera e a intensificação das correntes de jato, ventos fortes que atuam em altitude. Desafio para a previsão Tornado no RS: fenômeno destruiu casas em Giruá Luis Frey/Divulgação Apesar dos avanços da meteorologia, prever exatamente onde um tornado vai tocar o solo ainda é um desafio. Os modelos meteorológicos conseguem indicar quando há um ambiente favorável para a formação de tempestades severas, mas a localização exata do fenômeno continua sendo difícil de determinar. Por isso, especialistas reforçam a importância de acompanhar os alertas meteorológicos e de se preparar para situações de risco. "O que sabemos é que temos que estar atentos às previsões. Precisamos pesquisar mais sobre isso, entender quais as características deles nessa região. Entender isso é o que nos habilita a nos preparar melhor para eles", diz o meteorologista Maurício Ilha de Oliveira. Linha do tempo de registros de tornados no RS Dezembro de 2003: tornado em Antônio Prado deixa cinco mortos e oito feridos. Setembro de 2005: Muitos Capões registra destruição de casas com ventos acima de 180 km/h. Abril de 2014: Tapejara e Erebango têm cerca de 3,5 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas; uma morte é registrada. Março de 2017: São Francisco de Paula tem 110 casas destruídas, 700 danificadas e quase mil pessoas fora de casa. Junho de 2018: sequência de tornados atinge cidades do Norte do RS e provoca duas mortes. 2024: registros de tornados em áreas rurais de Gentil e São Sepé. Julho de 2026: tornado atinge Giruá, no Noroeste do estado. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/08/01/tornados-por-que-o-rs-esta-entre-as-regioes-mais-favoraveis-do-mundo-para-o-fenomeno.ghtml


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